Monday, September 13, 2010

Governador e Betu fazem a festa da Independência em Boston


O Festival da Independência do Brasil em Boston, em seu 15° ano, não podia ter sido mais feliz. Além da maravilhosa apresentação do Afro Orféu e do Afro Brazil, das bandas Cabra da Peste e Samba no Pé, do grupo Moves & Vines e da capoeira do Mestre Chuvisco, teve ainda duas presenças importantes: o Governador Deval Patrick e o jogador Betu, do Revolution.

Patrick e Betu fizeram a festa da multidão, tirando fotos, assinando autógrafos e conversando com as pessoas. O governador não se fêz de rogado e ouviu e abraçou todo mundo que quis falar com ele. Betu mostrou o craque que é, fazendo embaixadinhas com a garotada e recebendo os fans no standard do Revolution.


Pontos positivos para as mais de 100 mesas presentes, que ajudaram a enriquecer o programa do Festival e para o consul geral do Brasil em Boston, embaixador Fernando de Mello Barreto que ficou no parque o tempo todo, conversou com o povo, tirou fotos, recebeu o Governador e foi bastante simpático e diplomata ao represntar o governo brasileiro.

De parabéns a Comunidade Brasileira de Massachusetts!

Friday, September 3, 2010

Furacão adia filme brasileiro

O filme “Beyond Ipanema: Brazilian Waves in Globa Music” (Beyond Ipanema: Ondas brasileiras na música globa) de Guto Barra e Deco Dranoff, que seria exibido hoje no The Institute of Contemporary Art (ICA) em parceria com o Consulado do Brasil em Bsoton foi transferido para a próxima sexta-feira, dia 10 de setembro, às 19 horas devido aos efeitos do furacão Earl.
O filme é um documentário sobre a difusão e influência da música popular brasileira no mundo, com depoimentos de Caetano Veloso, Os Mutantes, Tom Zé, Gilberto Gil e muitos outros. Mais informações no site http://www.beyondipanema.com/film.html.

Furacão diminui de força mas ainda requer atenção

O Grupo Mulher Brasileira alerta a comunidade brsileira sobre a chegada do Furacão Earl, nas costas de Massachusetts, nesta sexta-feira, dia 3 de setembro. O governador Deval Patrick declarou estado de emergência ontem a tarde e pediu que quem tiver planos de viajar para o Cape Cod e ilhas Nantucket e Martha’s Vineyard que o faça até o meio-dia de hoje. As pontes de acesso ao Cape serão fechadas de acordo com parecer de engenheiros especializados que monitoram a tempestade.
A força do furacão diminuiu nas últimas horas e em Boston deve provocar chuva forte e ventos de 40 milhas por hora, mas as autoridades pedem que as pessoas tomem algumas precauções como não deixar objetos soltos no quintal – brinquedos de criança, por exermplo – ou no chão do basement que pode inundar com as chuvas. A tempestade deve passar até sábado pela manhã e o fim-de-semana promete ser de sol e calor em torno de 75 graus.
As autoridades do estado estão de plantão como medida prventiva e em caso de emergencia deve-se ligar para 911.

Wednesday, September 1, 2010

Harvard: Talento brasileiro tem cara nova, e ela é imigrante

Por: Eduardo de Oliveira
http://oglobo.globo.com/blogs/brasilcomz/


Aaron Litvin, coordenador do Estudos sobre o Brasil na Harvard, apresenta alunos a professores. Abaixo,
o vice-cônsul do Brasil em Boston, Fernando Igreja, revela o tamanho da comunidade brasileira; o calouro
Eric Westphal é a nova cara imigrante na Harvard, e Preston So, americano apaixonado pelo Brasil.
Fotos: Eduardo de Oliveira

O talento do nosso povo marcou presença durante a recepção de boas-vindas aos calouros brasileiros da Universidade Harvard.

E já se foi o tempo em que o perfil brasileiro nessa elite estudantial (a Harvard foi eleita pelo Ranking Nacional de Universidades como a melhor universidade dos EUA) era formada apenas por filhos de políticos, pelos ricos e influentes. Hoje, a nova cara tem mais caraterísticas imigrantes.

Enquanto Aaron Litvin, coordenador-geral dos Estudos Sobre o Brasil no Centro David Rockerfeller para Estudos Latino Americanos, trocavam memórias sobre o Brasil com recém-chegados, alguns doutorandos e professores saboreavam coxinhas feitas por restaurantes brasucas de Cambridge.

“Sejam bem-vindos à comunidade. É importante ue vocês saibam que fica aqui em Massachusetts a maior comunidade de brasileiros fora do Brasil. São cerca de 350 mil brasileiros na região Nova Inglaterra, e 220 mil em Massachusetts,” disse o ministro Fernando Igreja, vice-cônsul do Brasil em Boston.

Entre todos esses imigrantes está Eric Westphal, catarinense que se mudou para os EUA aos 11 anos, e hoje representa o novo perfil do talento aceito na melhor universidade do mundo.

Para ser admitido em Harvard, Westphal aconselha, “faça além daquilo que é esperado de você. Se destaque, porque outras 30 mil pessoas (na verdade, são 19 mil candidatos) tentarão conquistar a mesma vaga.”

Aos 19 anos e casado com uma americana, Westphal começa a pensar em seguir carreira como economista. Mas confessa que o “trabalho dos sonhos mesmo” seria representar o Brasil na ONU.

Mas que o leitor não se engane. Westphal estudou muito para manter uma média de 9.4 em todos os anos do segundo grau. Ele admite que pode ser um produto do affirmative action (política voluntária de reserva de cotas para minorias raciais), mas não tem vergonha disso.

“Sinto um pouco que se não fosse essa minha história de latino, e imigrante, não estaria aqui. Mas não faço apologia a isso. Se eu tivesse nascido americano teria outros benefícios, eu tive que batalhar mais,” disse Westphal.

A noite de confraternização trouxe supresas - tem americano que vivem como imigrantes. Veja o exemplo de Preston So: americano, filho de sul-coreanos, nascido em Idaho, morador do Colorado, calouro em Harvard, é cruzeirense por opção e brasileiro de coração.

Uma instrutora da força aérea levou uns cadetes para passear em Minas Gerais, e So foi convidado a ir junto. O que ele mais gosta sobre o Brasil: a comida e as pessoas.

“Em Montes Claros, se você visita a casa de uma pessoa (estranha), ela te convida para jantar. Isso me surpreendeu bastante. Foi muito legal,” disse So, com um sorriso aberto, que iluminava sua camisa celeste do Cruzeiro.

Paixões brasucas à parte, tem muito brasileiro estudando coisa séria em Harvard. A carioca Joana Machado acabou de retornar de duas favelas no Rio de Janeiro, onde pesquisou os efeitos do tráfico de drogas nas escolas locais. Já a paulistana Daniela Souza Egorov avaliou projetos para preparar melhor os estudantes no ensino médio no Brasil para reduzir o índice de desistência nos cursos de ciências exatas.

“As pessoas chegam na faculdade muito mal preparadas e não conseguem acompanhar os cursos que são mais puxados,” disse Daniela, que hoje trabalha no departamento de planejamento estratégico do departamento de ensino público de Boston. Ela tem a missão de ajudar a reconfigurar o ensino nas escolas da cidade.

Daniela confessou ao blogueiro qual é seu “grande projeto para o Brasil.”

“Aqui tem uma demanda muito grande por educação. Gostaria de ver no Brasil um movimento de reforma da educação, mas lá as pessoas nem sabem ainda que seja possível,” disse ela, convicta de que a reforma educacional acontecerá ainda durante a sua geração.

Outro brasileiro que faz planos em aplicar no Brasil tudo o que aprender em Harvard, é Adilson José Moreira, doutorando em Direito – um talento de Belo Horizonte. Moreira estuda a relação entre Direito e racismo.

“Nos EUA, o racismo tinha como objetivo manter os benefícios econômicos e sociais nas mãos dos brancos. No Brasil, o racismo é diferente. Ele opera através da negação dele próprio e a atribuição das desigualdes sociais como problemas de classes. Por isso, as autoridades não fazem nada a respeito, e esse problema nunca é debatido e nem faz parte de políticas públicas,” disse Moreira, que é especialista em Direito Constitucional.

Para Moreira, no Brasil negros pobres e ricos não são tratados da mesma maneira que brancos pobres e ricos.

“Hoje no Brasil existem vários estudos que mostram que o homem negro ganha 50% a menos que o homem branco, e a mulher ganha 75% a menos, apesar de terem a mesma qualificação,” disse ele.

Olhando o passo gingado e a fala maneira do paraibano Pedro Henrique de Cristo, você não imagina que esteja diante de um grande articulador de mudanças sociais. Pelo menos é assim que ele se descreve ao blogueiro.

Mas Cristo faz pesquisa de novas políticas de segurança pública em quatro favelas do Rio de Janeiro: Maré, Rocinha, Cidade de Deus e Santa Marta.

“Hoje queremos evitar que aconteça no Rio, durante a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o mesmo que aconteceu durante a Eco 92, que foi cercar a zona sul e não trazer nenhum benefício para os moradores das outras áreas do Estado. Porque cerca de 1 milhão de pessoas moram nas favelas do Rio,” disse Cristo.

Quando ele disse que pretende seguir carreira política no Brasil, o blogueiro foi direto: mas como você pretende resistir às tentações de um cargo público.

“Tem gente que pretende fazer dinheiro, eu pretendo fazer História,” disse ele.

O primeiro passo dessa ‘história’, todos os calouros já deram: eles ingressaram numa das melhores universidades do mundo. Agora, o blogueiro vai acompanhar alguns deles para saber o que eles – o Brasil – ganharão com isso.

Friday, August 6, 2010

Gentileza ilumina o dia

Quem disse que não existe mais gentileza, que os norte-amaricanos são frios e não perdem tempo com as pessoas?

Nós temos tendência de criar estas imagens e opiniões e generalizar como se elas pudessem ser aplicadas indiscriminadamente para todo mundo. Isso não é certo, nem é verdade.

Por exemplo, hoje pela manhã tive prova concreta da bondade de estranhos.

Logo pela manhã, sai as pressas de casa para fazer uma “porção de coisas” antes de chegar no Grupo. Na correria, “estacionei” a bicicleta em uma árvore para ir ao banco. A bicicleta caiu de rodas para o ar. Resultado: a corrente saiu do lugar.

Tentei várias vezes recolocar a corrente e so consegui sujar meus dedos de graxa, ficar irritada, me atrasar mais ainda. Até que uma mulher que ia passando, com as mãos ocupadas com uma bandeja do Dunkin’ Donuts, parou e ofereceu ajuda. Eu agradeci e disse que não precisava – bem que eu queria, mas fiquei com vergonha de aceitar - Ela deve ter notado a minha completa falta de jeito e prontamente ajoelhou-se, levantou a corrente e consertou o problena. De quebra, ainda me disse como evitar futuros problemas.

Aquela mulher,da qual nem sei o nome, com certeza, tinha um compromisso como eu mas nem se importou em perder uns minutos, ficar com as mãos sujas de graxa para ajudar uma completa desconhecida.

Que astral maravilhoso para começar o dia!

Wednesday, August 4, 2010

Autoridades de Saúde alertam:

Residentes de Worchester devem usar spray e roupas de mangas e calças compridas quando ao ar livre nas horas de pico do mosquito.

Por Heloisa Maria Galvao

O Departamento de Saúde do Estado adiou para a noite desta quinta-feira, dia 5 de agosto, a pulverização aérea do sudeste de Massachusetts na tentativa de erradicar o mosquito que provoca a encefalomielite equina. A pulverização estava marcada para hoje à noite mas foi cancelada devido a ventos fortes. A medida é uma resposta aos contínuos testes positivos de Encefalomielite Equina Oriental ( EEE) em mosquitos naquela área do Estado.

Hoje, também, autoridades de saúde pública confirmaram outro caso de EEE, desta vez no município de Worchester, onde um cavalo de quatro anos foi diagnosticado com a infecção. O último registro naquela região data de 2003 em Brimfield.
Para mais informações atualizadas, visite o site do DPH, www.mass.gov/dph.ou ligue para 2-1-1.

O Grupo Mulher Brasileira está a disposição para ajudar. Ligue para a gente no 617-787-0557 ramal 14 ou 15

Saturday, July 24, 2010

Turismo Sexual e Violência contra a Mulher


Por Heloisa Maria Galvão

- O maior problema que enfrentamos aqui na Itália é o da violência contra a mulher, diz a ministra Irene Vidagala, do Consulado do Brasil em Roma.

Estamos conversando no intervalo das discussões do Seminário sobre Questões de Gênero, promovido pela Libellula. Esta é uma característica da Europa, enfatiza Irene.

- A mulher representa a grande maioria dos emigrados brasileiros para a Itália e todas (o itálico é meu) casam com italianos.

Como para não deixar nenhuma dúvida, Irene olha ao redor e pergunta: “Você mora aqui? Qual a nacionalidade do seu marido? ” As duas mulheres sentadas ao lado, respondem em uníssimo: “Italiano”. Uma complementa: “Os dois, casei duas vezes com italiano.”

A violência contra a mulher vem no bojo de muitos desses casamentos. Não que não tenha casamento feliz e italiano bom, mas a prostituição, o tráfego de pessoas, a maioria mulher, a escravização e aviltamento da mulher é problema sério na Europa e a Itália lidera as estatísticas.

Talvez por isso, o diretor Joel Zito Araújo tenha escolhido uma rua de Roma como o primeiro take do seu premiadíssimo “Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado”. São 105 minutos de depoimentos fortes e cenas chocantes, um alinhavo do turismo sexual que no Brasil, diz Joel, começa no Nordeste. As belíssimas praias de Natal, Fortaleza e Salvador, são cenário para o aliciamento de meninas de até 10 anos.

Isso não é novidade, todos sabemos do problema do turismo sexual e como a mulher brasileira, principalmente a negra e a mulata, são muitas vezes comercializadas como commodities caras mas que não merecem nenhum respeito.

Saber é uma coisa, ver é outra. A impunidade choca tanto quanto as narrativas e ao final do documentário fica no ouvido a frase lacrimosa e desalentada da senadora Patricia Saboya (PSB-CE): “As vezes, eu perco a esperança.”


Friday, July 23, 2010

En Route to Rome


Por Heloisa Maria Galvão

Quando cheguei no aeroporto Fuimicini, vi logo que chegara no primeiro mundo de verdade. Apresentei meu passaporte brasileiro à imigração e, para surpresa minha, em menos de um minuto devolveram meu passaporte sem nenhum questionamento. Bem diferente da minha última viagem à Europa, quando a Espanha não quis aceitar meu passaporte brasileiro. Segui para a esteira, recolhi minha bagagem e sai sem ver ninguem fardado pedindo comprovante de bagagem. Completa sensação de liberdade.

Aliás, isto já se manifestara, horas antes, em Montreal, minha primeira escala em direção à Roma para um seminário sobre Gênero e Violência contra a Mulher promovido pela Libélula, uma organização brasileira que atua na capital italiana. Em Montreal, fui interpelada por uma pesquisadora do aeroporto que, laptop em mãos, queria saber minhas impressões sobre o local. O oficial de imigração a tratou bem? As cadeiras são confortáveis? O aeroporto está limpo? Você está satifeita com sua passagem pelo nosso aeroporto?

Incrível! Eu disse à entrevistadora que não estou acostumada com aeroportos querendo saber minha opinião sobre as condições do local, muito menos sobre o tratamento da imigracão.
Roma enfrenta a maior onda de calor dos últimos anos. Tem feito sistematicamente 40 graus sem chuva. O céu está azul de brigadeiro, as ruas, bares, cafés cheios. A minha amiga Leila Pereira, que dirige a Libelula, disse que a Itália precisa dos turistas, por isso, me deixou passar sem interpelações. Além do mais, completou, você não chegou do Brasil.

Manhã da sexta-feira, dia 23 de julho:
O seminário é aberto no prédio da Embaixada do Brasil, na Piazza Navona, um prédio com mais de 500 anos de história, onde antigamente também moravam alguns funcionários do Consulado. Hoje, os apartamentos são escritórios de embaixadas, mas ainda se mantém um apartamento presidencial. Desde que Dona Marisa adquiriu a cidadania italiana, calcula-se que ela virá mais vezes à Roma.

A tarde, o Seminário, que reúne cerca de 40 pessoas de vários países européus e eu dos Estados Unidos, prosseguiu em outro prédio histórico, na Vila Libório, ao lado de uma das igrejas mais famosas da cidade, a Santa Maria de Maggiore.

O Seminário vai até domingo, dia 25, e tem a participação de militantes comunitárias e de representantes governamentais, como a ministra Irene Vidagala, do Consulado do Brasil em Roma, que faz todo o trabalho de relacionamento com a comunidade. Presente também a diretora do Departaemento de Violência contra a Mulher, do Monistério da Mulher. Ela foi desviada de Viena, onde participava de outro evento, para representar a Ministra Nilcéa Freire.

A presença de Katia demonstra o compromisso do governo do Brasil com a questão de gênero. A ministra Irene, por outro lado, fêz questão de falar de suas duas identidades: a de diplomata e a de mulher e ativista. Com certeza ela usou bastante a segunda na tarde de abertura para colocar questões que a preocupam, como a da violência.

Se Roma, onde a comunidade brasileira é relativamente pequena, tem no Consulado uma ministra só tratando de comunidade, imaginem o que isto não significria para a nossa comunidade de Boston.

Saturday, July 17, 2010

Direitos Humanos, Direitos de Todos



Por Heloisa Maria Galvão

Fim de semana en New Jersey, na Ruttgers University, para um treinamento sobre Direitos Humanos. São 21 pessoas de 14 organizações de todo os Estados Unidos reunidas em torno de uma mesa discutindo como trazer direitos humanos para o centro da discussão a nível internacional. O objetivo é disseminar o entendimento sobre o que é direitos humanos e como implementar de fato uma economia justa.

O que faz 21 pessoas ficarem trancadas em um salão de uma universidade, há pelo menos 40 minutos da civilização, durante todo um fim de semana? E um fim-de-semana de verão!

Boa Pergunta!

Como disse Oleta Fitzgerald, da Southern Rural Black Women’s Initiative for Economic and Social Justice, no Mississippi, pouca gente sabe o que são direitos humanos. “Direitos humanos são o direito à empregos, a treinamentos, à água corrente, à energia, a transporte, à educação, à moradia”.

O que acontece é que quando pensamos em direitos humanos relacionamos o termo mais a direitos legais do que a direitos básicos de sobrevivência. No entanto, nosso entendimento do significado da palavra e do que ela abrange em termos práticos muitas vezes começa dentro de casa, em nossa família e com nossa própria experiencia.

Antwar McCallie, da organiação Atlanta Public Sector Alliance, disse que aprendeu sobre direitos humanos com a mãe. Ela costumava dizer, “se suas irmãs se meterem em confusão, as defenda”. Diana Spatz, da Low-Income Families’ Empowerment through Education (Lifetime), começou a prestar atenção no significado do termo quando percebeu que não tinha direitos. Mãe adolescente, solteira, desempregada e sem ver luz alguma no final do tunel, apelou para as drogas e a bebida como forma de sobrevivência até que descobriu que, na verdade, estava sendo empurrada para a marginalidade porque o mesmo governo, que deveria proteger a ela e seu filho, era o primeiro a lhe negar os direitos básicos que poderiam tirá-la da pobreza.
Encontros como este são importantes por várias razões. São momentos que propiciam trocas de experiências. Ouvindo pessoas, que você nem sabia que existiam até aquele momento, falar de situações que muitas vezes só vemos no cinema, nos faz agir e exercer nosso direito de reivindicar.

As várias horas de discussão acabam se transformando em arma poderosa contra a mesmice e a mesquinharia e fazem nossos miolos ferver.

Stay tune, amanhã tem mais.

Friday, June 25, 2010

De Detroit – 3º dia do Forum Social

Por Heloisa Maria Galvão

Vocês já imaginaram 20 mil pessoas de todos os estados dos Estados Unidos e até de alguns países, como o Brasil, circulando em um espaço grande mas não enorme? A energia que emana de toda esta gente é eletrizante.

Hoje à tarde houve uma demonstração com dança no andar térreo. De repente, um grupo com aventais de plástico por cima da roupa começou a dançar. Eu, infelizmente, não entendi a mensagem que tentavam passar. Mas logo atrás veio um urso polar enorme – desculpem o pleonasmo – com olhos ternos e um jeitinho de filhote desmamado, ganhou os corações presentes. Uma mãe colocou o filhinho de um ano para ver o urso; outros queriam saber como ele se sente diante da ameaça do aquecimento da Terra. Foi o barato da tarde.

O Forum Social é uma lição de inclusão. Tudo que é feito, é feito em várias línguas, inclusive português, mas o espanhol e o inglês são falados simultaneamente. Se eu não fosse brasileira e não entendesse e falasse portunhol, ia ter de andar para cima e para baixo com aqueles aparelhos de tradução simultânea.

Até os filmes têm tradução simultânea. Por falar em filme, o grande hit da noite desta quinta-feira, além da celebração dos 95 anos da ativista comunitária local Grace Lee Boggs, foi o filme de Oliver Stone “South of the Border”.

Grace, filha de imigantes chineses, luta pelos direitos civis e humanos há mais de 50 anos. Tem estado em vários painéis e é mais lúcida e faz mais sentido do que diz do que muita gente que tem 1/3 da idade dela.

Feminista, ela aprendeu muito cedo que somente uma mudança poderia salvar o mundo: “Quando eu nasci, minha mãe foi dita para me abandonar nas Colinas para morrer porque eu era mulher”.

O filme de Oliver Stone, ainda inédito, é um documentário sobre Hugo Chavez e a América Latina porque o diretor conseguiu entrevistar todos os presidentes, de Lula a Evo Morales a Eduardo Correa a Raul Castro.

Desde que moro nos Estados Unidos nunca estive em um ambiente tão completamente lotado. O cinema, com capacidade para umas 300 pessoas, tinha pelo mesmo o dobro. Segurança e medo de processo, tão típicos da cultura norte-americano, ficaram para trás nesta noite.

Só uma mulher de uns 70 anos levantou-se e sugeriu que as pessoas em excesso fossem retiradas por questão de segurança.

Ela lembrou o incêndio no clube Station, em Providence. Um dos coordenadores do evento, no entanto, sentindo que a plateia discordava, disse que quem conseguisse um lugar no chão, tinha direito de ficar. A audiência vibrou e mais gente entrou. Até o palco foi tomado.

O documentário de uma hora e meia teve a participação ativa dos presentes, que se manifestavam contra ou favor dependendo de quem aparecia na tela. O ex-presidente Bush e seus auxiliares eram sempre motivo de risos e chacotas, enquanto Chaves, Lula, Morales e Correa recebiam hurras, aplausos e vivas em uníssimo.

Amanhã de manhã, o drama é que no mesmo horário do jogo do Brasil, tem um workshop sobre economias de base que todo mundo quer assistir.

Quem vai ganhar a preferência dos brasileiros: a responsabilidade social ou a Seleção?