Saturday, July 17, 2010

Direitos Humanos, Direitos de Todos



Por Heloisa Maria Galvão

Fim de semana en New Jersey, na Ruttgers University, para um treinamento sobre Direitos Humanos. São 21 pessoas de 14 organizações de todo os Estados Unidos reunidas em torno de uma mesa discutindo como trazer direitos humanos para o centro da discussão a nível internacional. O objetivo é disseminar o entendimento sobre o que é direitos humanos e como implementar de fato uma economia justa.

O que faz 21 pessoas ficarem trancadas em um salão de uma universidade, há pelo menos 40 minutos da civilização, durante todo um fim de semana? E um fim-de-semana de verão!

Boa Pergunta!

Como disse Oleta Fitzgerald, da Southern Rural Black Women’s Initiative for Economic and Social Justice, no Mississippi, pouca gente sabe o que são direitos humanos. “Direitos humanos são o direito à empregos, a treinamentos, à água corrente, à energia, a transporte, à educação, à moradia”.

O que acontece é que quando pensamos em direitos humanos relacionamos o termo mais a direitos legais do que a direitos básicos de sobrevivência. No entanto, nosso entendimento do significado da palavra e do que ela abrange em termos práticos muitas vezes começa dentro de casa, em nossa família e com nossa própria experiencia.

Antwar McCallie, da organiação Atlanta Public Sector Alliance, disse que aprendeu sobre direitos humanos com a mãe. Ela costumava dizer, “se suas irmãs se meterem em confusão, as defenda”. Diana Spatz, da Low-Income Families’ Empowerment through Education (Lifetime), começou a prestar atenção no significado do termo quando percebeu que não tinha direitos. Mãe adolescente, solteira, desempregada e sem ver luz alguma no final do tunel, apelou para as drogas e a bebida como forma de sobrevivência até que descobriu que, na verdade, estava sendo empurrada para a marginalidade porque o mesmo governo, que deveria proteger a ela e seu filho, era o primeiro a lhe negar os direitos básicos que poderiam tirá-la da pobreza.
Encontros como este são importantes por várias razões. São momentos que propiciam trocas de experiências. Ouvindo pessoas, que você nem sabia que existiam até aquele momento, falar de situações que muitas vezes só vemos no cinema, nos faz agir e exercer nosso direito de reivindicar.

As várias horas de discussão acabam se transformando em arma poderosa contra a mesmice e a mesquinharia e fazem nossos miolos ferver.

Stay tune, amanhã tem mais.

Friday, June 25, 2010

De Detroit – 3º dia do Forum Social

Por Heloisa Maria Galvão

Vocês já imaginaram 20 mil pessoas de todos os estados dos Estados Unidos e até de alguns países, como o Brasil, circulando em um espaço grande mas não enorme? A energia que emana de toda esta gente é eletrizante.

Hoje à tarde houve uma demonstração com dança no andar térreo. De repente, um grupo com aventais de plástico por cima da roupa começou a dançar. Eu, infelizmente, não entendi a mensagem que tentavam passar. Mas logo atrás veio um urso polar enorme – desculpem o pleonasmo – com olhos ternos e um jeitinho de filhote desmamado, ganhou os corações presentes. Uma mãe colocou o filhinho de um ano para ver o urso; outros queriam saber como ele se sente diante da ameaça do aquecimento da Terra. Foi o barato da tarde.

O Forum Social é uma lição de inclusão. Tudo que é feito, é feito em várias línguas, inclusive português, mas o espanhol e o inglês são falados simultaneamente. Se eu não fosse brasileira e não entendesse e falasse portunhol, ia ter de andar para cima e para baixo com aqueles aparelhos de tradução simultânea.

Até os filmes têm tradução simultânea. Por falar em filme, o grande hit da noite desta quinta-feira, além da celebração dos 95 anos da ativista comunitária local Grace Lee Boggs, foi o filme de Oliver Stone “South of the Border”.

Grace, filha de imigantes chineses, luta pelos direitos civis e humanos há mais de 50 anos. Tem estado em vários painéis e é mais lúcida e faz mais sentido do que diz do que muita gente que tem 1/3 da idade dela.

Feminista, ela aprendeu muito cedo que somente uma mudança poderia salvar o mundo: “Quando eu nasci, minha mãe foi dita para me abandonar nas Colinas para morrer porque eu era mulher”.

O filme de Oliver Stone, ainda inédito, é um documentário sobre Hugo Chavez e a América Latina porque o diretor conseguiu entrevistar todos os presidentes, de Lula a Evo Morales a Eduardo Correa a Raul Castro.

Desde que moro nos Estados Unidos nunca estive em um ambiente tão completamente lotado. O cinema, com capacidade para umas 300 pessoas, tinha pelo mesmo o dobro. Segurança e medo de processo, tão típicos da cultura norte-americano, ficaram para trás nesta noite.

Só uma mulher de uns 70 anos levantou-se e sugeriu que as pessoas em excesso fossem retiradas por questão de segurança.

Ela lembrou o incêndio no clube Station, em Providence. Um dos coordenadores do evento, no entanto, sentindo que a plateia discordava, disse que quem conseguisse um lugar no chão, tinha direito de ficar. A audiência vibrou e mais gente entrou. Até o palco foi tomado.

O documentário de uma hora e meia teve a participação ativa dos presentes, que se manifestavam contra ou favor dependendo de quem aparecia na tela. O ex-presidente Bush e seus auxiliares eram sempre motivo de risos e chacotas, enquanto Chaves, Lula, Morales e Correa recebiam hurras, aplausos e vivas em uníssimo.

Amanhã de manhã, o drama é que no mesmo horário do jogo do Brasil, tem um workshop sobre economias de base que todo mundo quer assistir.

Quem vai ganhar a preferência dos brasileiros: a responsabilidade social ou a Seleção?

De Detroit – 2º dia do Forum Social

Por Heloisa Maria Galvão

Com o clima anti-imigrante e anti-povo que domina os Estados Unidos, Detroit é o lugar para estar. A energia que circula aqui dá para levantar a moral de multidões.

Umas atrás das outras, mulheres e homens, desfilam diante do microfone em um dos 130 workshops, que acontecem simultaneamente, para denunciar casos de abuso e perseguição e sobretudo partilhar experiências vitoriosas.

Um grupo de trabalhadores da India, por exemplo, disse que, cada um, pagou $20 mil pelo “direito” de trabalhar nos Estados Unidos e a promessa de green card. Logo após a chegada descobriram que o visto de trabalho que tinham era uma arma dos patrões para ameaçá-los de deportação e explorá-los. Os indianos não se submeteram e hoje continuam trabalhando legalmente nos Estados Unidos e em firmas mais honestas.

A mexicana Claudia Reyes falou sobre o desafio para conseguir que a Califórnia aprove a Carta de Direitos das Trabalhadoras Domésticas. A luta vem desde 2004 quando cerca de 30 mulheres reunidas em assembléia criaram a Associação das Trabalhadoras Domésticas de San Francisco Bay. Na mesma época, uma pesquisa mostrou que:

54% das trabalhadoras sustentavam a familia
90% das trabalhadoras eram imigrantes
50% sofriam algum tipo de violência no trabalho, como abuso sexual
95% não tinham seguro
90% não recebiam overtime

Afinal, em 2006, as trabalhadoras conseguiram que senadores e deputados estaduais aprovassem a Carta dos Direitos mas, quando a lei chegou na mesa do Governador Schwarzenegger, foi vetada.

As mulheres não desistiram e continuam na luta pela aprovação da Carta. Taticamente, esperam as eleições no segundo semestre, quando Schwarzenegger vai sair, para reentroduzir a Carta.

As histórias não param ai, tem o caso das empregadas nepalenses que tomam conta de idosos, 7 dias por semana, 17 horas por dia, salário de $180/semana. E ainda são obrigadas a comprar sua própria comida para não ficarem com fome.

Carlos, de Chicago, denunciou os “abusos da policia e contra os indocumentados”. Ezequiel Falcon, 28, mexicano e diarista em New Orleans, trabalha com um brasileiro chamado Rubens. A exploração mais comum, conta, “é o roubo de salário. Trabalhamos o dia todo e o patrão não paga. Não adianta reclamar, pois o patrão mente que invadimos a casa dele e vamos presos”.

Sob gritos de workers’ power, El pueblo unido jamas será vencido e Si se puede, as mais de 300 pessoas reunidas em um workshop sobre “Trabalhadores Excluidos” se energizam com o coral das mulheres do grupo Domestic Workers United de Nova York. “Fight, fight for the Bill of Rights”, diz o refrão.

- Qual o nome da canção?, pergunto à lider do coral
- Surpresa, ela coça a cabeça e diz: DWU Calipso.

Além das histórias de luta, música é o que mais se ouve no Forum Social. As trabalhadoras e os trabalhadores cantam de peito aberto e, quando o fazem, a energia flui e transborda por todas as salas e corpos.

O workshop sobre Os Excluídos durou quatro horas e foi encerrado com o refrão:
“I am an endangerous species
But I sang no victims song
I am a woman, I am an artist and I know
Where my voice belongs”.

Wednesday, June 23, 2010

Primeiro dia do Forum Social dos Estados Unidos

A manhã de terça-feria começou com assembléia da Associação Nacional das Trabalhadoras Domésticas em um salão do basement do Hotel Double Tree. Mais de 100 trabalhadoras se reuniram para trocar experiências de luta e o programa da Convenção de Geneva, que acabou de acontecer na Suiça.
Durante todo o dia fala-se muito no que está acontecendo no Arizona. Uma mulher levantou-se e pegou o microfone para dizer que as trabalhadoras do Arizona estão com medo até de ir às compras. “Nossas companheiras estão sofrendo muito. Temos de apoiá-las e lutar por elas”. Durante a manhã, em um grupo de trabalho, falei do que se passa em Massachusetts, da emenda que transita na State House com medidas duras contra os imigrantes. Algumas pessoas ficaram boquiabertas.
À noite, na festa de comemoração dos três anos de criação da Aliança Nacional de Trabalhadoras Domésticas, no entanto, chegou uma notícia alvissareira: na quarta-feira, 23, o governador de Nova York vai se reunir com os senadores estaduais para discutir a Carta de Direitos das Trabalhadoras Domésticas.
Quando o anúncio foi feito, o auditório veio abaixo com toda a razão. Se passar, e tudo indica que vai passar, Nova York terá a primeira Carta de Direitos das trabalhadoras Domésticas em toda a história dos Estados Unidos.

Em Detroit na véspera do Forum Social dos Estados Unidos

A entrada em Detroit não podia ser mais triunfal. Fomos recebidas com fogos de artifício. Muitos fogos. Era o “4th de July” adiantado, nos foi dito. O dia primeiro de julho marca o dia em que Canada celebra todas as suas províncias e a tradição manda que seja uma festa conjunta com os vizinhos de fronteira. Foram 25 minutos de fogos pipocando, uma beleza!
De onde estamos, downtown, Detroit parece uma cidade sem graça e morta às 3 da tarde. O Forum Social, que abre na noite de terça-feira, dia 22, com seus 20 mil participantes, é que vai dar vida à cidade.
Detroit não tem café, nem água com gás. Andei quase uma hora e foi impossível achar uma coffee house. Expresso, então, nem pensar. O único lugar que dizem serve um expresso é uma lanchonete no hotel onde estamos hospedadas, que fecha as 4:30 da tarde. A água mineral com gás achei no bar do hotel. Por $5!

GMB no Forum Social dos Estados Unidos - BWG in the U.S. Social Forum

O Grupo Mulher Brasileira no Forum Social dos Estados Unidos

O Grupo Mulher Brasileira e a Cooperativa de Mulheres Vida Verde marcharam nesta terca-feira, dia 22 de junho, em Detroit, ao lado de mais de 7 mil pessoas na abertura do Forum Social dos Estados Unidos. O Grupo Mulher Brasileira uniu-se à Aliança Nacional de Trabalhadoras Domésticas na luta pelos direitos dos trabalhadores e contra a injustiça. Siga os relatos do GMB e da Cooperativa de Mulheres Vida Verde sobre a agenda do Forum Social aqui, no Facebook, Twitter e Orkut.


The Brazilian Women’s Group in the U.S. Social Forum

The Brazilian Women’s Group and the Vida Verde Women’s Cooperative marched this Tueday, June 22nd, 2010, in Detroit, along with over 7,000 people in the opening of the United States Social Forum. The BWG joined the National Domestic Workers Alliance in the fight for workers’ rights and in the struggle against injustice. Follow the BWG and Vida Verde Women’s Coop reports on the Social Forum agenda here, Facebook, Twitter and Orkut.

Wednesday, September 9, 2009

GMB convida brasileiros a partilharem lembranças de Kennedy

“Ele foi um lider tão importante, uma pessoa que estava sempre interessada no ser humano, seja quem for, nós realmente perdemos o grande líder que tinha esta sensibilidade humana e esta grande capacidade política de fazer as coisas acontecerem”.

A declaração, de Adriana Lafaille, do Grupo Mulher Brasileira, retrata bem o sentimento de perda e até vazio que milhares de pessoas estão experimentando após a morte do Senador Edward Kennedy esta semana.

Na quinta-feira, a estudante de direito em Harvard passou horas em frente à Biblioteca John Kennedy, em Dorchester, na esperança de entrar, mas teve de desistir depois de horas de espera. E foi exatamente na biblioteca onde Adriana viu o Senador em pessoa. “Foi há uns três anos e ele falou sobre imigração”.

Assim como Adriana, muitos têm lembranças dos Kennedy e do Senador em particular. Por isso, o Grupo Mulher Brasileira está abrindo um espaço em seu blog para quem quiser partilhar memorias, aspirações e saudades do Senador de Massachusetts. O blog pode ser acessado na página www.verdeamarelo.org ou mandando email para mulherbrasileira@verdeamarelo.org.

Para o Grupo, é importante que a comunidade brasileira tenha um espaço para se expressar neste momento, mas um objetivo também é provocar uma reflexão sobre a necessidade de não deixar a peteca cair. “A maior homenagem que podemos prestar ao Senador Kennedy, é continuar lutando pelos ideiais que ele abraçou”, disse Heloisa Galvão, também do Grupo Mulher.

Ela lembra bem de um domingo, cinco dias após as batidas de 2007 em New Bedford, a comunidade terrivelmente traumatizada, quando os políticos se reuniram em uma igreja da cidade para ouvir as famílias dos presos. “Quando o Senador chegou, houve um zum-zum-zum: ‘Kennedy chegou’, murmuravam as pessoas”. Heloisa continua: “Ele entrou acompanhado de assessores, atravessou um corredor repleto de gente, apertando a mão de todo mundo. Depois sentou em um dos círculos preparados para as famílias conversarem com os políticos. Por coincidência era onde estávam as brasileiras. Ele ouviu uma por uma, com atenção, as vezes pedia para uma assessora anotar algo”.

Para a maioria das pessoas, Edward Kennedy era uma figura que inspirava respeito, mas acima de tudo ele passava uma segurança. Quando o Senador falava, as pessoas ouvim, quando prometia, ninquém duvidava. Para Heloisa, os irmãos Kennedys, independente do que pode ter acontecido na vida privada de cada um, exerciam a política com uma dignidade difícil de se achar em outros politicos. “O interesse comum estava acima do interesse individual. Isso é tão raro hoje em todos os níveis da vida pública”, reflete.

Friday, May 8, 2009

Opinião - Estados europeus desalmados

Leonardo Boff

A "Diretiva do Retorno", também chamada de "Diretiva da Deportação ou da Vergonha" da Comunidade Européia acerca dos extracomunitários ilegais desmascara uma faceta desumana que a cultura européia sempre teve e que dificilmente consegue disfarçar. É uma cultura identitária. Possui dificuldade imensa de conviver com o diferente. Ou o agregou, ou o submeteu ou o destruiu. Invadiu praticamente todo o mundo conhecido, subjugando e matando com a cruz e a espada. Foi ela que, nos primórdios da modernidade, provocou o maior genocídio da história humana, segundo o historiador Oswald Splengler em seu O declínio do Ocidente. Onde na América Latina havia 23 indígenas, diz-nos o antropólogo Darcy Ribeiro, após um século, restou apenas um. Depois dominou as populações restantes, explorou todos os recursos naturais possíveis que serviram de base para a industrialização e seu enriquecimento, que são suas injustas vantagens até os dias de hoje. Atrás de seus feitos!
comerciais e técnicos,
há rios de sangue, de suor e de lágrimas. É uma cultura montada sobre o poder-dominação.
Agora, passando por cima de vários artigos da Declaração dos Direitos Humanos de 1948 (quando foi que a respeitaram?) maltratam imigrantes, consideram-nos criminosos a serem encarcerados, mesmo menores, sem precisar de mandado judicial, apenas mediante um procedimento administrativo. Prevêem-se campos de concentração para eles. Esses imigrantes escondem tragédias em suas vidas. Estão lá porque querem sobreviver e ajudar a suas famílias que deixaram em seus países.
Vejam a contradição: no século 19 os sobrantes do processo de industrialização europeu, aqueles que poderiam desestabilizar o capitalismo selvagem nascente, previsto por Marx, foram destinados à exportação. Não veio qualquer tipo de gente. Tinham primazia os empobrecidos e os doentes, como meus avós italianos. Todos de sua leva eram acometidos de tracoma, na época de difícil cura. Eu mesmo quando criança passei por esta doença bem como todos de nossa região no interior de Santa Catarina, onde se situa hoje a Sadia e a Perdigão, conhecidas por seus bons produtos.
No Brasil foram acolhidos com generosidade. Ganharam terras, ajudaram a construir esta nação e agora, com a riqueza natural com que Deus nos galardou, podemos ser a mesa posta para as fomes do mundo inteiro. As políticas da Comunidade Européia de hoje não mostram nenhuma reciprocidade. Com ações articuladas, se revelam cruéis e sem piedade. Relata-nos o príncipe de nossos jornalistas, Mauro Santayana, no JB de 22/06, que nos anos 80 economistas e sociólogos norte-americanos e europeus, sob o patrocínio de banqueiros, concluíram que era necessário afastar do consumo 4/5 da humanidade, a fim de garantir a gestão do planeta e manter os privilégios dos 20% de ricos. Os demais deveriam ser marginalizados até a sua extinção.
Parece que o genocídio está inscrito no código genético deste tipo de gente que está por detrás de quase todas as guerras dos últimos séculos. A eles que gostam de cultura como pura ilustração lhes recordo o que Immanuel Kant diz em sua A paz perpétua (1795). A primeira virtude de uma república mundial é a "hospitalidade geral", como direito e dever de todos. Todos estão sobre o planeta Terra, diz ele, e têm o direito de visitar suas regiões e seus povos, pois a Terra pertence comunitariamente a todos.
Só espíritos anticultura ocidental, como Francisco de Assis, João XXIII, Luther King e Madre Teresa podem oferecer um paradigma que resgate e salve estes governos da maldição da vida e da ira divina que pairam sobre ele.




Sunday, May 3, 2009

A agonia dos imigrantes na volta para o Brasil


Medo, incerteza, desprezo, frustração, saudade. Essas palavras ganharam peso na vida de brasileiros que foram morar no exterior em busca de melhores condições de vida e tiveram os planos atropelados pela crise mundial. O desemprego e a pobreza entre os imigrantes nos EUA, na Europa e no Japão vêm transformando o Brasil no destino de muitos deles, que, sem perspectivas lá fora, estão voltando para casa.

A reportagem é e Camila Nobrega e publicada pelo jornal O Globo, 26-04-2009.

Segundo a Polícia Federal, pela primeira vez em anos, o número de brasileiros que chegam à terra natal supera o registro de saídas.

De novembro de 2007 a março de 2008, 78,61% dos registros eram referentes às saídas de brasileiros, e 21,39% correspondiam às chegadas.

Mas, de novembro de 2008 a março de 2009, 51,26% dos registros foram de entradas, e as saídas caíram para 48,67%.

Alline Galo e Rodrigo Seabra não tinham planos de retornar agora. Mas, após oito anos na Espanha, estão perdendo os empregos e voltarão em maio:

— O sonho acabou. Meu marido está desempregado há três meses e eu trabalho numa loja que fechará em 30 de abril. Estamos vendo se pedimos a ajuda do governo espanhol. Após tanta luta para conseguir o visto de permanência, sinto-me desprezada.

Entre janeiro e fevereiro, pelo menos 200 brasileiros retornaram com a ajuda do programa de repatriamento de imigrantes lançado pelo governo espanhol, em novembro de 2008. A procura também tem sido grande na Organização Internacional para as Migrações (OIM): o Brasil lidera o ranking de pedidos de repatriamento.

Em 2008, dois mil brasileiros voltaram para casa com o auxílio da organização. Mas, até março de 2009, os benefícios concedidos pela OIM já se aproximavam do número total de 2008. A OIM estima que 6 mil brasileiros devem procurar auxílio este ano.

Brasileiros desempregados na Espanha chegam a 21,26% Mas a maioria dos imigrantes retorna por conta própria, por causa da burocracia dos processos de repatriamento. É o caso de Tsuyoshi e Clyssia Momonuki. Eles moravam no Japão, mas foram demitidos no início de março.

— Voltamos sem emprego ou reserva financeira e com uma filha de seis meses para criar — diz Tsuyoshi.

Segundo Eduardo Gradilone, diretor do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, do Ministério das Relações Exteriores, os pedidos de Autorização para Retorno ao Brasil (ARB) passaram de 12.395 em 2007 para 15.142 em 2008, alta de 22%. Em 2009,o número deve ser maior:

— A ARB é para imigrantes que estão sem passaporte, irregulares.

Sobre repatriações, a Espanha nos preocupa, porque oferece ajuda até para quem tem emprego.

Os pais e a irmã de Alex Hiroshi foram demitidos no Japão e voltaram para o Brasil em março.

— Eu vim para ficar alguns meses, mas não posso voltar ao Japão — conta.

O programa de repatriamento do governo japonês foi lançado há menos de um mês, mas 162 famílias brasileiras fizeram o pedido e centenas assistem às palestras diárias sobre os benefícios.

Segundo a Embaixada do Brasil em Tóquio, os brasileiros desempregados são mais de 40 mil (12% do total). Nos Estados Unidos, o número chega a 100 mil (8%), e na Espanha são 26 mil (21,26%).

Sem opções de emprego na Holanda, Maria Bethânia Santos voltou ao Brasil em janeiro:

— Estou terminando doutorado e não conseguia nem emprego para ensino superior. Meu marido, que é holandês, também vai recomeçar a vida no Brasil.

Mas há quem prefira esperar a situação melhorar, como a brasileira Bárbara Eesa, que também mora na Holanda:

— Ano passado, grávida, recusei ótimas propostas de trabalho, agora só há serviço doméstico, quando há.

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=21746

Friday, April 17, 2009

Why Skilled Immigrants Are Leaving the U.S.


New research shows that highly skilled workers are returning home for brighter career prospects and a better quality of life

By Vivek Wadhwa

As the debate over H-1B workers and skilled immigrants intensifies, we are losing sight of one important fact: The U.S. is no longer the only land of opportunity. If we don't want the immigrants who have fueled our innovation and economic growth, they now have options elsewhere. Immigrants are returning home in greater numbers. And new research shows they are returning to enjoy a better quality of life, better career prospects, and the comfort of being close to family and friends.

Earlier research by my team suggested that a crisis was brewing because of a burgeoning immigration backlog. At the end of 2006, more than 1 million skilled professionals (engineers, scientists, doctors, researchers) and their families were in line for a yearly allotment of only 120,000 permanent resident visas. The wait time for some people ran longer than a decade. In the meantime, these workers were trapped in "immigration limbo." If they changed jobs or even took a promotion, they risked being pushed to the back of the permanent residency queue. We predicted that skilled foreign workers would increasingly get fed up and return to countries like India and China where the economies were booming.

Why should we care? Because immigrants are critical to the country's long-term economic health. Despite the fact that they constitute only 12% of the U.S. population, immigrants have started 52% of Silicon Valley's technology companies and contributed to more than 25% of our global patents. They make up 24% of the U.S. science and engineering workforce holding bachelor's degrees and 47% of science and engineering workers who have PhDs. Immigrants have co-founded firms such as Google (GOOG), Intel (INTC), eBay (EBAY), and Yahoo! (YHOO).

Who Are They? Young and Well-Educated

We tried to find hard data on how many immigrants had returned to India and China. No government authority seems to track these numbers. But human resources directors in India and China told us that what was a trickle of returnees a decade ago had become a flood. Job applications from the U.S. had increased tenfold over the last few years, they said. To get an understanding of how the returnees had fared and why they left the U.S., my team at Duke, along with AnnaLee Saxenian of the University of California at Berkeley and Richard Freeman of Harvard University, conducted a survey. Through professional networking site LinkedIn, we tracked down 1,203 Indian and Chinese immigrants who had worked or received education in the U.S. and had returned to their home countries. This research was funded by the Kauffman Foundation.

Our new paper, "America's Loss Is the World's Gain," finds that the vast majority of these returnees were relatively young. The average age was 30 for Indian returnees, and 33 for Chinese. They were highly educated, with degrees in management, technology, or science. Fifty-one percent of the Chinese held master's degrees and 41% had PhDs. Sixty-six percent of the Indians held a master's and 12.1% had PhDs. They were at very top of the educational distribution for these highly educated immigrant groups—precisely the kind of people who make the greatest contribution to the U.S. economy and to business and job growth.

Nearly a third of the Chinese returnees and a fifth of the Indians came to the U.S. on student visas. A fifth of the Chinese and nearly half of the Indians entered on temporary work visas (such as the H-1B). The strongest factor that brought them to the U.S. was professional and educational development opportunities.

What They Miss: Family and Friends

They found life in the U.S. had many drawbacks. Returnees cited language barriers, missing their family and friends at home, difficulty with cultural assimilation, and care of parents and children as key issues. About a third of the Indians and a fifth of the Chinese said that visas were a strong factor in their decision to return home, but others left for opportunity and to be close to family and friends. And it wasn't just new immigrants who were returning. In fact, 30% of respondents held permanent resident status or were U.S. citizens.

Eighty-seven percent of Chinese and 79% of Indians said a strong factor in their original decision to return home was the growing demand for their skills in their home countries. Their instincts generally proved right. Significant numbers moved up the organization chart. Among Indians the percentage of respondents holding senior management positions increased from 10% in the U.S. to 44% in India, and among Chinese it increased from 9% in the U.S. to 36% in China. Eighty-seven percent of Chinese and 62% of Indians said they had better opportunities for longer-term professional growth in their home countries than in the U.S. Additionally, nearly half were considering launching businesses and said entrepreneurial opportunities were better in their home countries than in the U.S.

Friends and family played an equally strong role for 88% of Indians and 77% of Chinese. Care for aging parents was considered by 89% of Indians and 79% of Chinese to be much better in their home countries. Nearly 80% of Indians and 67% of Chinese said family values were better in their home countries.

More Options Back Home

Immigrants who have arrived at America's shores have always felt lonely and homesick. They had to make big personal sacrifices to provide their children with better opportunities than they had. But they never have had the option to return home. Now they do, and they are leaving.

It isn't all rosy back home. Indians complained of traffic and congestion, lack of infrastructure, excessive bureaucracy, and pollution. Chinese complained of pollution, reverse culture shock, inferior education for children, frustration with government bureaucracy, and the quality of health care. Returnees said they were generally making less money in absolute terms, but they also said they enjoyed a higher quality of life.

We may not need all these workers in the U.S. during the deepening recession. But we will need them to help us recover from it. Right now, they are taking their skills and ideas back to their home countries and are unlikely to return, barring an extraordinary recruitment effort and major changes to immigration policy. That hardly seems likely given the current political climate. The policy focus now seems to be on doing whatever it takes to retain existing American jobs—even if it comes at the cost of building a workforce for the future of America.

http://www.businessweek.com/technology/content/feb2009/tc20090228_990934_page_2.htm